O Brahman é a raça que consegue aliar alta produtividade (ótimo rendimento de carcaça), qualidade de carne, docilidade, precocidade, fertilidade e a rusticidade necessárias, principalmente para criação em um clima tropical como o nosso.

Fertilidade e longevidade

Os índices são como dos melhores colhidos em outras raças zebuínas. Tanto nos machos como nas fêmeas. A libido é muito boa nos touros que acompanham bem o lote de fêmeas. Já é comprovado que antes dos três anos os animais já pariram e reconceberam. Os machos, antes dos dois anos, já começam a cobrir. Tanto machos quanto fêmeas têm uma vida útil longa no rebanho. São várias as vacas que estão parindo após os seus vinte anos.

Habilidade materna

A raça ficou muito conhecida pela seleção realizada em cima da sua habilidade materna. Vacas que não eram boas mães são descartadas desde os primórdios da formação do Brahman. Além de terem anatomia para parirem bem, produzem quantidade de leite que dá condições para criarem e desmamarem bezerros mais pesados, como também uma ótima proteção a sua cria. Isso é bem transferido quando o Brahman é utilizado em cruzamentos. A F1 com Brahman é a “rainha” das mães.

Precocidade, sustentabilidade e rusticidade

O Brahman tem precocidade de crescimento, tem precocidade de acabamento e precocidade de fertilidade. Está preparado para ser abatido com quantidade de peso, acabamento de gordura e ainda para entrar em reprodução mais cedo. Ou seja, dá retorno muito mais rápido para quem o cria. No momento da comercialização dos animais com os frigoríficos é possível obter um adicional pela precocidade e qualidade de acabamento dos animais. Conforme dados do Anualpec 2009, enquanto a média nacional de abate é de 37,5 meses, a média para o Brahman é de apenas 28 meses. No caso do Brahman PO, esta antecipação no abate é de no mínimo nove meses. Além de a redução da idade do abate, também é possível agregar 128,76 kg a mais no peso final dos animais. Se o animal é abatido mais cedo, o volume de área utilizado para criação é menor, o nível de metano emitido também é menor e há, ainda, a diminuição do custo de produção para o pecuarista. A pecuária de corte também ganha ao utilizar genética Brahman nos cruzamentos, quando é possível antecipar no mínimo em 10 meses o tempo de abate médio do animal e agregar 87,76 kg a mais no peso final dos animais.
Pelo mundo, a raça é encontrada em regiões muito frias e muito quentes; desde lugares que nevam até lugares com muito calor e umidade. É um zebuíno que tem uma termorregulação que permite uma zona de conforto de muita adaptação. Sua pigmentação de pele, conciliada com as formas e quantidades de glândulas sudoríparas e sebáceas, mais o número de pelos por centímetro quadrado e outras características morfofisiológicas, garantem rusticidade.

Docilidade

O temperamento é uma característica de alta herdabilidade. O Brahman é um animal dócil. Além de ter o manejo facilitado pelo seu instinto gregário, a calma do gado impressiona até quando chega para o abate. Esse é um fator importantíssimo. Isso faz com que os animais alimentem melhor e haja melhor conversão também.

Rendimento

Os abates técnicos de animais meio sangue Brahman e de puros comprovaram que o rendimento de carcaça ultrapassa os 55% na média e a qualidade da carne obtida é bem classificada diante das tabelas de carnes comerciais. É possível, além da quantidade e qualidade, ter-se uma uniformidade no lote, indispensável quando se pensa em exportação. As perdas por aparas de limpeza nas carcaças e retirada de hematomas são mínimas (por causa da índole calma dos animais) quando se trabalha com Brahman.
Na desossa também se apurou maior percentual de carne que o esperado, confirmando que o osso do Brahman, apesar de possuir um maior volume, apresenta um peso relativo menor devido aos osteoclastos (células do tecido ósseo) serem mais espaçados.

Cruzamentos para carne

Cruzado com taurinos, tauríndicos e outros zebuínos, o Brahman evidencia muito mais que rusticidade. Coopera muito na genética de ganho em peso e na qualidade de carne. Vários touros que têm os seus marcadores moleculares conhecidos são referências para obtermos cruzados que são abatidos cedo e com bons resultados de rendimento e qualidade de carcaça. A cruza Brahman é tão boa na engorda como na reprodução. Muitas experiências mostram machos meio sangue Brahman/Nelore com média de 252 quilos e as fêmeas com 235 quilos. Na F1 com Angus, os machos são desmamados com 268 quilos e as fêmeas com 251 quilos. Os machos confinados são abatidos aos 24 meses e com média de 545 quilos. Já o gado engordado exclusivamente a pasto é abatido aos 30 meses com 530 quilos. Ambos com ótima cobertura de carcaça. As fêmeas iniciam-se na reprodução aos 20 meses (400 quilos). O primeiro parto se dá por volta dos 30 meses e são evidentes: habilidade materna, docilidade, rusticidade. Isto é tudo que se deseja numa boa matriz e também numa receptora. A cruzada de Brahman é uma ótima receptora.

Cruzamentos para leite

Quatro mil quilos de leite numa lactação de 305 dias já é dado oficial de lactação de Brahman em controle da ABCZ. É compensadora também a utilização da raça por pequenos produtores de leite que usam os touros Brahman nas suas vacas ou as inseminam com eles. O bezerro nasce com mais agilidade, crescem mais sadios, e com a venda de machos e fêmeas conseguem buscar reposição com menor custo. Já compram fêmea em lactação para a reposição, com a venda de menos de quatro bezerros desmamados.

No Brasil, criadores estão fazendo o que em outros países já é costumeiro, a cruza da Brahman com a Holandesa, um tipo (Brahmolando) muito produtivo para leite em criação extensiva. A recordista mundial de produção de leite é uma Brahmolando chamada Ubre Blanca, que produziu mais de 24 mil quilos numa lactação de 305 dias.

Brahman TV